quinta-feira, 17 de abril de 2008

Violência é diferente de agressividade


Para a psicóloga Ana Bock, professora de psicologia social da PUC, a violência não é necessária para a formação de um ser humano. Ela enfatiza que violência é diferente de agressividade, e esta segunda sim é fundamental. A agressividade tem um aspecto positivo que faz com que o ser humano transforme o ambiente em que vive, já a violência, segundo ela, é algo do aspecto cultural do homem, sendo uma resposta que este dá ao meio em que se encontra quando não encontra outros recursos que seriam mais “pacíficos”.


A agressividade é uma área que vai desde a transformação da natureza em produtos de consumo até nossa intromissão na vida de outras pessoas, estimulando-os a tomar certas iniciativas, boas ou ruins, mas ela sempre tem como objetivo alterar algo ou alguém.


Ana Bock considera que alguns atos violentos hoje em dia ainda são tolerados pela sociedade e outros não, como por exemplo: a sociedade não aceita ver que um criminoso transgrediu as regras estabelecidas cometendo um assassinato. Porém ela não vê como ato violento a tortura que a polícia faz com este mesmo assassino, defendendo inclusive a pena de morte. A noção que temos de violência muda de acordo com o tempo e região em que estamos. Ana lembra que na época do Brasil colônia, a tortura que os europeus impunham aos índios não era visto como algo violento pela sociedade européia.


A psicóloga considera ainda que a violência retratada nos veículos da mídia terciária, por si só, não influencia a ninguém. Em nossa sociedade esta violência é recebida como um modelo de como ser violento. Uma criança é muito mais influenciada por fatores de seu dia-a-dia do que pela mídia em si. Os jogos de vídeo game são vistos como ficção apenas, e segundo ela, as crianças de hoje em dia sabem diferenciar muito bem a ficção da realidade.


Ela considera que a televisão exagera na exibição da violência e que o jornalismo brasileiro se põe na posição de Deus. Um exemplo citado é o caso da menina Isabella, assassinada em São Paulo, em que a mídia se antecipou a justiça, colhendo depoimentos e fatos. Ana Bock acredita que uma criança que crescesse blindada do tema violência não aprenderia a lidar com estas situações, podendo ser mais violenta do que outra criança que teve acesso a essas informações em um primeiro contato com o assunto. Para ela não é necessário blindar nem expor demais o jovem à violência, o equilíbrio seria a melhor saída.

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